Andar nu

Poética existencial
Jorge Bezerra

Um dia, a tua veste

- tão cuidada e alinhada -

será de ti recolhida

 

Então, retornarás

à condição do primeiro choro

quando saíste do nada,

que era tua paz,

e entraste na vida,

campo de torturas...

 

Neste dia, que traje portarás?

Sob qual manto cobrirá a tua vergonha,

a tua verdade escancarada?

E, por fim, que estória inventarás?

 

A morte mata o personagem,

mas não mata o ator

que, finalmente, ficará desnudo...

 

Por isso, para tangenciar a vida

volte ao primeiro choro

Lembra-te do medo

que te atemorizou

ao entrar no mundo...

 

E, na medida do possível,

se tiveres força,

depõe as tuas vestes

e mata teus personagens,

porque eles te sufocam

e impedem que andes nu...

swipe

Deixe seu comentário