A noite

Jorge Bezerra

Eu vi a noite se aproximar

A última estrela já dormia...

 

Eu vi, eu sei, era ela...

Eu vi o sepulcro no seu ventre

E o fôlego d'alma indo embora

 

O que foi, o que era, o que deveria ter sido...

não pulsará jamais...

não haverá outra aurora...

 

Perdeu-se o nome,

Perdeu-se a honra

Perderam-se as conquistas

 

O caminho torto

e o beco sem saída

A gargalhada e a mofa

O beijo sonhado e nunca beijado

 

Tudo envolto no manto da noite

do buraco negro que come as estrelas

e zomba dos homens que crêem na vida

 

Não... Não haverá mais dia

nem haverá mais noite

Não há lugar para a saudade,

meu caro amigo

 

O que sobrevive é esperança

dos que ficam e ansiosamente

aguardam a hora da ceifa

- Até breve, queridos!